
Uma pesquisa AtlasIntel, realizada em parceria com a Bloomberg e divulgada nesta quinta-feira (6), aponta que, embora os influenciadores digitais tenham grande alcance entre os brasileiros, a maioria da população afirma que o apoio público desses criadores de conteúdo a candidatos não interfere em sua decisão de voto. O levantamento indica que os entrevistados reconhecem a relevância dos influenciadores no debate público, mas demonstram resistência à influência direta nas escolhas eleitorais.
Segundo a pesquisa, 77,5% dos entrevistados disseram que o apoio de um influenciador a um candidato à Presidência da República não alteraria sua decisão nas urnas. Outros 14,3% responderam que a reação dependeria tanto do influenciador quanto do candidato envolvido.
Apenas 3% afirmaram que ficariam mais inclinados a votar no candidato apoiado, enquanto o mesmo percentual declarou que ficaria menos propenso a escolher esse nome. Outros 2,2% disseram não saber como reagiriam diante desse cenário.
Os dados também revelam um elevado grau de ceticismo em relação ao impacto político dos influenciadores digitais. Para 67% dos entrevistados, as opiniões desses criadores de conteúdo não exercem qualquer efeito sobre sua escolha eleitoral.
Quando questionados sobre diferentes formas de influência, a maioria também rejeitou a ideia de que os influenciadores reforcem suas preferências políticas. Cerca de 62% discordam que a opinião desses criadores fortaleça sua decisão de voto, enquanto 64% afirmam que esse tipo de conteúdo não os ajuda a escolher entre candidatos.
Além disso, 68% dos participantes disseram que uma manifestação pública de apoio não desperta maior interesse pelas propostas de um candidato. O índice é ainda mais elevado quando o assunto é mudança de voto: 83% afirmaram que conteúdos publicados por influenciadores não seriam capazes de fazê-los trocar de candidato.
Apesar dessa percepção individual, os brasileiros avaliam que os influenciadores podem exercer impacto sobre o comportamento do eleitorado em geral. A pesquisa mostra que 44,6% acreditam que esses criadores terão alguma influência nas eleições presidenciais deste ano.
Outros 26,8% consideram que essa influência será muito grande, enquanto 16,9% avaliam que ela será pequena. Para 9,1% dos entrevistados, os influenciadores não terão qualquer impacto sobre o resultado eleitoral, e 2,6% não souberam responder.
O levantamento também investigou se os brasileiros já mudaram de opinião sobre temas políticos em razão de conteúdos publicados por influenciadores. A maioria, correspondente a 72,3% da amostra, afirmou que nunca alterou seu posicionamento por esse motivo.
Entre os participantes, 15,2% disseram ter mudado de opinião mais de uma vez após acompanhar conteúdos de influenciadores, enquanto 13% relataram que isso aconteceu apenas uma única vez.
A pesquisa também identificou quais segmentos de influenciadores são mais acompanhados pelos brasileiros. O maior interesse está nos criadores que produzem conteúdo sobre notícias, política e temas sociais, mencionados por 63,3% dos entrevistados.
Na sequência aparecem influenciadores voltados para música, cinema e cultura, com 37,2%; finanças, negócios e empreendedorismo, com 35,3%; saúde, bem-estar e atividade física, também com 35,3%; e entretenimento, humor e celebridades, com 34,2%.
Outras categorias citadas foram esportes, acompanhados por 28,3% dos entrevistados; religião, com 24%; moda, beleza e estilo de vida, com 16,2%; e games e tecnologia, com 12%. Já 19,3% afirmaram não acompanhar nenhum influenciador digital.
O levantamento integra a edição de julho do relatório Latam Pulse e foi realizado entre os dias 22 e 27 de julho. A pesquisa ouviu 5.021 brasileiros adultos, possui margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

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