A estiagem deve começar a pressionar a navegação e o abastecimento de Manaus de forma mais intensa entre outubro e novembro, quando a vazante do Rio Negro pode levar à adoção de restrições no calado de navios que chegam à capital. O alerta foi apresentado pelo Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (LabClim), durante sessão na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Segundo o professor Francis Wagner Silva Correia, coordenador-geral do LabClim, o cenário de estiagem deve se intensificar nos próximos meses devido à atuação do fenômeno El Niño, que já apresenta intensidade forte no Pacífico Tropical e tem previsão de evoluir para a categoria muito forte entre setembro e novembro.
A projeção do laboratório indica que as chuvas devem ficar abaixo da média na Bacia Amazônica durante os próximos meses. Para setembro, a previsão aponta precipitações 26% inferiores à média, enquanto em outubro a redução pode chegar a 32%.
Ao mesmo tempo, as temperaturas devem subir. A previsão aponta temperaturas cerca de 1,2°C acima da média em setembro e 2,2°C acima do normal em outubro na Bacia Amazônica. Segundo o pesquisador, a combinação de menos chuva e calor mais intenso deve contribuir para uma recessão mais acentuada dos rios.
Em Manaus, o Rio Negro já apresenta queda de aproximadamente 10 centímetros por dia. Apesar disso, os níveis ainda estão dentro da normalidade para o período. A expectativa é que a vazante continue ao longo de setembro e outubro, mas o cenário pode se tornar mais preocupante no fim do segundo semestre.
Segundo Francis Wagner, caso o ritmo de descida do Rio Negro permaneça, outubro e novembro podem trazer riscos para a navegabilidade. A redução do nível do rio pode dificultar a entrada de embarcações de maior porte na capital e exigir mudanças na logística de transporte de cargas.

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